
As III Jornadas de Nutrição no Desporto constituem um evento de índole científica que pretende reunir profissionais da área da Nutrição Desportiva ou a ela ligados, com reconhecido mérito a nível internacional (ver programa disponibilizado abaixo).

É um espaço onde se pretende transmitir à comunidade desportiva informações relacionadas com as questões da alimentação e nutrição do atleta. Tentaremos abordar este assunto de uma forma séria e fundamentada com o grande objectivo de mostrar que a nutrição desportiva pode contribuir para uma performance ideal desde que conjugada com outros factores. Estaremos disponíveis para dar as nossas opiniões sobre nutrição no âmbito desportivo no seguinte endereço: dep.nutricao.desporto@gmail.com


In Jornal OJOGO, 30 Dezembro de 2006
Nesta altura do ano, é frequente o aparecimento de notícias que visam o estado competitivo no qual os atletas regressam ao trabalho. São muitos os factores que afectam este estado, dos quais se destaca a alimentação.
A alimentação no período de pausa competitiva, ao interferir com as reservas corporais de gordura, acarreta implicações na performance desportiva dos atletas. Neste sentido, deve ser pensada de modo a permitir um “excesso controlado”. Na quadra Natalícia, o risco de um atleta cometer erros alimentares que comprometam o seu rendimento desportivo é elevado, dada a oferta alimentar característica desta fase do ano. Ademais, esse risco será tanto maior quanto menor for o apoio nutricional prestado ao atleta, que incida sobre o impacto da nutrição no rendimento desportivo assim como formas de contornar as más opções alimentares sem tirar o encanto de uma boa mesa de Natal.
A alimentação no período de férias constitui assim um teste ao brio profissional do atleta, sendo que a reprovação neste teste representa menor capacidade competitiva no recomeço da temporada. Citando Joaquin Caparrós, “Um atleta está a treinar quando está a comer, quando está a descansar.”
Entende-se e recomenda-se portanto que os Clubes Desportivos apresentem determinados padrões de exigência no controlo da massa gorda dos seus atletas. No entanto, é importante referir que, para o poderem fazer, devem fornecer aos seus atletas ferramentas que lhes permitam alcançar os objectivos, através de apoio nutricional. Este deve constituir uma política integrada ao longo de toda a época.


Apesar deste efeito ergogénico, a cafeína foi retirada em 2004, da lista de substâncias proibidas pela Agência Mundial de Antidopagem. Temeu-se um aumento significativo do consumo desta substância pelos atletas, o que se verificou nalgumas modalidades como por exemplo no râguebi. Apesar dos efeitos secundários que possam advir do seu excessivo consumo já existem no mercado comprimidos de cafeína bem como bebidas destinadas a desportistas que incluem cafeína.
Actualmente, há quem defenda a proibição da cafeína no desporto. Fará sentido?








Recomendações gerais para a manutenção da função imune dos atletas:
· ingestão de uma dieta suficientemente equilibrada para ir de encontro às suas necessidades energéticas.
· consumir 30 a 60 gramas de hidratos de carbono na forma de bebida durante exercício prolongado parece atenuar efeito imunossupressores do mesmo exercício.
· dietas muito ricas em gorduras prejudicam alguns aspectos da função imune celular.
· em atletas com dietas de restrição energética é vantajosa uma suplementação vitamínica.
· ingestão adequada de ferro, zinco, vitaminas A, C, E, B6 e B12, no entanto…
· o consumo de megadoses de vitaminas e minerais não é aconselhável, já que excesso de certos micronutrientes deteriora a função imune.
· a suplementação em antioxidantes poderá ser, ou não vantajosa. Por um lado diversos estudos têm demonstrado o efeito protector contra os danos no músculo induzidos pelos radicais livres que se verifica após a suplementação dos principais antioxidantes, no entanto, outros estudos demonstram que um desportista tem os seus mecanismos antioxidantes endógenos aumentados, pelo que a suplementação se mostra desnecessária.
· diversas evidencias sugerem a glutamina como um ácido aminado imunoestimulante. Também a suplementação de ácidos aminados de cadeia ramificada está associada ao melhoramento da função das células imunitárias, para além contribuir para a manutenção dos níveis plasmáticos de glutamina após o exercício.
Nota: O uso de suplementos deve acontecer apenas em casos específicos e em último recurso e sempre pela recomendação do nutricionista.
Queremos então demonstrar que a alimentação de um atleta tem que ser encarada de uma forma muito séria, rigorosa e profissional, já que para além da performance desportiva esta pode condicionar muitos outros aspectos da sua vida.






